Uma das maiores dificuldades de quem tenta recuperar um crédito judicialmente é localizar bens ou valores em nome do devedor. É comum que devedores movimentem seu patrimônio, fechem contas ou usem laranjas justamente para dificultar a cobrança. O Sisbajud (Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário) foi criado para reduzir exatamente esse tipo de manobra.
Por meio dele, é possível solicitar ao juiz o bloqueio eletrônico de valores existentes em contas bancárias e aplicações financeiras do devedor, de forma integrada com o Banco Central e as instituições financeiras, tudo dentro do processo judicial, sem a necessidade de o credor "descobrir" manualmente onde o devedor guarda o dinheiro.
Se você tem um título executivo (uma sentença judicial, um contrato com força executiva, uma nota promissória, entre outros) e o devedor simplesmente não paga, a via da execução judicial permite requerer o bloqueio de valores por meio dessa ferramenta. Em muitos casos, o simples deferimento do pedido já é suficiente para viabilizar o pagamento, já que o devedor perde a disponibilidade dos valores encontrados.
Quando o Sisbajud não localiza valores suficientes, existem outras ferramentas complementares, como o Renajud (para bloqueio de veículos) e a busca por imóveis e outros bens registráveis. Também é possível investigar movimentações suspeitas que caracterizem fraude à execução, o que pode anular a transferência de bens feita para dificultar o pagamento da dívida.
Tem um crédito a receber que parece impossível de cobrar? Muitas vezes o problema não é a falta de patrimônio do devedor, mas a falta de uma estratégia jurídica adequada para localizá-lo.
Fale conoscoA recuperação de crédito exige planejamento: entender o perfil do devedor, escolher a via mais eficiente (negociação, cobrança extrajudicial ou execução judicial) e usar as ferramentas certas em cada etapa. Com a estratégia adequada, valores que pareciam perdidos podem, sim, ser recuperados.